quarta-feira, 28/10/2026

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Meta considera lançar versão sem câmera de óculos inteligentes para revitalizar o produto

A recente introdução dos óculos inteligentes da Meta, em parceria com a Ray-Ban, trouxe à tona um debate acalorado sobre privacidade e segurança. Desde o seu lançamento, em 2023, os dispositivos têm sido alvo…

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A recente introdução dos óculos inteligentes da Meta, em parceria com a Ray-Ban, trouxe à tona um debate acalorado sobre privacidade e segurança. Desde o seu lançamento, em 2023, os dispositivos têm sido alvo de críticas, especialmente após relatos de assédio em que mulheres e meninas foram filmadas sem consentimento, levando à disseminação de imagens na internet.

Apesar da contratação da influenciadora Kylie Jenner como modelo da marca, a imagem dos óculos continua manchada. Os dispositivos, apelidados de “óculos pervertidos”, já enfrentaram proibições em vários lugares no Reino Unido, incluindo pubs e escolas. A Meta, por sua vez, tentou mudar essa narrativa ao lançar uma nova versão, os Ray-Ban Meta Audio, que não possuem câmera e focam apenas em funcionalidades de áudio, como chamadas e reprodução de música.

Ankit Brahmbhatt, chefe de produtos da Meta Glasses, declarou que a empresa acredita ter algo para todos com essa nova versão. Contudo, a questão persiste: será que o novo modelo representa uma mudança significativa na abordagem da tecnologia em relação aos óculos inteligentes? Ou será apenas uma tentativa de contornar um problema que ainda persiste com os modelos anteriores?

Durante um teste pessoal com os óculos com câmera, a preocupação com a privacidade foi constante. Os relatos de usuários que foram agredidos fisicamente por causa dos dispositivos são alarmantes. Apesar disso, a experiência de usar os óculos no transporte público gerou reações mistas, com alguns se mostrando desconfiados e outros indiferentes à presença dos dispositivos.

A funcionalidade principal dos óculos, que é funcionar como uma extensão do smartphone, trouxe comodidade. A possibilidade de ouvir música e navegar no mapa sem ter que mirar diretamente no celular fez com que eu me sentisse mais segura em situações públicas. No entanto, a necessidade de conceder à Meta acesso constante à localização me deixou apreensiva, considerando a reputação da empresa em relação à privacidade de dados.

Embora os óculos inteligentes tenham sido bem recebidos por alguns setores, como o de deficientes visuais, o clamor por regulamentações é forte. A empresária Liz Hunter, que lançou uma petição em busca de novas regras para o uso desses dispositivos, critica a falta de segurança e privacidade que eles representam, especialmente para as mulheres. O surgimento de aplicativos que visam identificar e desativar os óculos inteligentes nas proximidades demonstra o crescente desconforto público.

Enquanto algumas empresas, como a HTC, tentam desenvolver soluções que respeitem a privacidade sem eliminar completamente as câmeras, a Meta continua avançando com sua linha de produtos. O lançamento recente de óculos sem câmera pode ser visto como uma resposta aos apelos por maior segurança, mas não elimina a preocupação com a presença de dispositivos que capturam imagens.

Com a evolução contínua dessa tecnologia, o desafio será encontrar um equilíbrio que respeite a privacidade e permita que inovações prosperem. A sociedade precisará estabelecer normas claras sobre o uso de dispositivos que capturam dados e imagens, para que a confiança pública não seja comprometida.

Crédito da imagem: Óculos inteligentes da Meta