A adolescência sempre foi um período repleto de desafios, mas a era digital trouxe novas camadas de complexidade a essa fase da vida. Com a onipresença dos celulares, a forma como jovens se relacionam com o mundo ao seu redor e com seus familiares mudou drasticamente. Especialistas, pais e adolescentes concordam: viver conectado o tempo todo torna o crescimento mais complicado do que há algumas décadas.
Uma especialista destaca que a situação atual é mais difícil do que há 50 anos. A pandemia agravou essa realidade, interrompendo interações sociais cruciais no exato momento em que muitos adolescentes estavam começando a explorar suas identidades. Em Recife, um projeto social que atende jovens há 25 anos busca ser um antídoto à hiperconexão, propondo que os celulares sejam desligados durante as atividades para promover encontros presenciais. Jemerson, de 12 anos, um dos participantes, relata como essa experiência o ajudou a superar a timidez e a formar vínculos mais profundos.
Por outro lado, o celular também se tornou uma ferramenta de proteção para muitas famílias. Cilene, mãe de um adolescente, expressa seu receio pela violência em sua comunidade e prefere que seu filho fique em casa, onde se sente mais seguro. O jovem, por sua vez, gasta entre seis e sete horas por dia conectado, um reflexo de uma geração que, além de crescer em um ambiente digital, teve sua dependência das telas aprofundada pela pandemia.
As dificuldades de comunicação entre gerações também são evidenciadas em um curta-metragem criado por estudantes do Rio de Janeiro. As autoras do filme relatam que a dificuldade de diálogo com os pais é uma realidade comum, agravada pela imersão em mundos virtuais que distanciam as relações familiares.
A pressão por aceitação, uma constante na adolescência, se intensificou com as redes sociais. Jovens, especialmente meninas, enfrentam um constante confronto com padrões de beleza que podem prejudicar sua autoestima. O uso de filtros e a necessidade de aprovação online têm sido associados a transtornos de imagem e aumento do risco de depressão, segundo especialistas.
Num mundo marcado por telas e comparações, a comunicação entre pais e filhos se torna um desafio. A atriz Ingrid Guimarães e sua filha Clara compartilham que, apesar de conseguirem se comunicar, ainda enfrentam barreiras geracionais. Especialistas sugerem que os adultos devem ouvir os adolescentes com empatia e compreensão, reconhecendo que o diálogo é essencial para fortalecer os laços familiares em tempos tão turbulentos.




