quarta-feira, 28/10/2026

Dólar R$ 5,35 Euro R$ 5,96
Ibovespa 175.710 ▼ 0,51%

Inovador jovem desenvolve plataforma para ajudar na busca de desaparecidos após terremoto na Venezuela

Após os devastadores terremotos que atingiram a Venezuela em junho, Jorge Bastidas se viu em uma situação de impotência. Residente na Argentina e a trabalho em Bogotá, ele rapidamente cancelou compromissos para tentar, sem…

Compartilhe:

Após os devastadores terremotos que atingiram a Venezuela em junho, Jorge Bastidas se viu em uma situação de impotência. Residente na Argentina e a trabalho em Bogotá, ele rapidamente cancelou compromissos para tentar, sem sucesso, contatar sua família. O desespero foi palpável, tanto para ele quanto para outros compatriotas. Em meio à incerteza, Bastidas decidiu agir e criou a plataforma “Desaparecidos Terremoto Venezuela”, um recurso que emergiu como um farol de esperança em um cenário caótico.

Com a ajuda de inteligência artificial, Jorge desenvolveu o site em tempo recorde, apenas quatro horas e meia após os tremores. Inicialmente, a plataforma permitia que familiares registrassem informações sobre pessoas desaparecidas, mas rapidamente se tornou um ponto de encontro para aqueles que buscavam informações sobre entes queridos. Em menos de quatro meses, o portal acumulou cerca de 82.610 registros, dos quais 29.486 permanecem sem contato, refletindo a gravidade da situação.

A indignação de Bastidas em relação à resposta do governo venezuelano é clara. Sem uma lista oficial de desaparecidos ou um canal adequado para registrar essas informações, a responsabilidade acabou recaindo sobre a sociedade civil. Ele critica a falta de ação do governo, que, segundo ele, possui os recursos necessários para lidar com o problema, mas opta por não fazê-lo. Em contraste, organizações independentes, como a Venezuela Reporta, estimam que o número de desaparecidos pode chegar a 41.357.

Com o passar dos dias, a plataforma enfrentou desafios, incluindo ataques cibernéticos e tentativas de desinformação, mas a equipe de Bastidas se adaptou, implementando medidas de segurança e moderação. Uma colaboração com um laboratório de inovação mexicano trouxe uma nova ferramenta de reconhecimento facial, aumentando as chances de localizar desaparecidos, enquanto voluntários se uniram para compilar listas de vítimas a partir de hospitais.

Daneli Hernández, uma colega de Jorge, também atuou como uma ponte entre os registros e a realidade nos hospitais, evidenciando a falta de estrutura das instituições de saúde para lidar com a crise. Ao final do processo, mais de 3 mil registros foram unificados e integrados ao portal. A história de Alceo Angelini, que registrou o desaparecimento de seu primo, ilustra a utilidade da plataforma, mesmo em meio à dor e incerteza.

Jorge Bastidas, com sua determinação em ajudar, reafirma a importância da iniciativa. “Não deveríamos esperar pelo Estado para agir”, diz ele, refletindo um sentimento compartilhado por muitos que se viram obrigados a depender de esforços comunitários diante da indiferença oficial. Enquanto a busca por respostas e a reunificação de famílias continua, a plataforma representa um esforço significativo na luta contra a desinformação e a falta de assistência em tempos de crise.