sábado, 31/10/2026

Dólar R$ 5,43 Euro R$ 6,07
Ibovespa 167.922 ▼ 0,75%

O impacto da IA nas campanhas eleitorais dos EUA: uma análise dos investimentos que ultrapassam US$ 137 milhões

Às vésperas das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, que ocorrerão em 3 de novembro, um fenômeno preocupante vem emergindo nas campanhas eleitorais: a utilização crescente de inteligência artificial para a criação…

Compartilhe:

Às vésperas das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, que ocorrerão em 3 de novembro, um fenômeno preocupante vem emergindo nas campanhas eleitorais: a utilização crescente de inteligência artificial para a criação de anúncios. Essa prática, que alguns especialistas já chamam de “slopaganda”, mistura propaganda política com conteúdos de baixa qualidade gerados por IA, levantando bandeiras de alerta sobre a desinformação que pode ser disseminada.

Embora tanto republicanos quanto democratas estejam recorrendo a esse tipo de propaganda, é inegável que os candidatos e grupos alinhados ao Partido Republicano, especialmente aqueles próximos ao ex-presidente Donald Trump, estão liderando os investimentos nessa estratégia. Um exemplo alarmante é um anúncio de Abdul El-Sayed, candidato democrata ao Senado por Michigan, que apresenta imagens perturbadoras e manipulações geradas por IA, provocando uma onda de críticas e preocupação.

O uso de inteligência artificial na publicidade política se torna ainda mais problemático quando se considera que, segundo o Wesleyan Media Project, apenas 27% dos anúncios identificados informam que foram produzidos com a ajuda dessa tecnologia. Isso dificulta a capacidade dos eleitores de discernir a veracidade das informações apresentadas. Até o momento, mais de US$ 137 milhões foram gastos em anúncios que utilizam IA, um montante que contrasta fortemente com os míseros US$ 50 mil gastos em 2024 com esse tipo de propaganda.

O senador democrata Jon Ossoff, que busca a reeleição, expressou sua preocupação ao se deparar com anúncios que não informam o uso de IA, como um que sugere que ele estaria “maquiando” seu relatório de prestação de contas. As pesquisas de opinião revelam que a rejeição à utilização de inteligência artificial nas campanhas é ampla, com 73% dos entrevistados considerando essa prática “inaceitável”.

Apesar do aumento na produção de anúncios gerados por IA, especialistas alertam que isso não significa necessariamente que eles terão um impacto direto nas eleições. Um estudo do Centro de Política Tecnológica da Universidade de Nova York sugere que a “slopaganda” pode ser mais eficaz na mobilização de eleitores e na arrecadação de fundos do que na concretização de vitórias eleitorais. Com o aumento do conteúdo gerado por inteligência artificial, os eleitores podem se sentir sobrecarregados e confusos, tornando a luta pela verdade no debate político ainda mais desafiadora.