A recente violação de segurança que resultou no roubo de US$ 6,3 bilhões da Binance, a maior corretora de criptomoedas do mundo, acendeu uma nova discussão sobre a segurança dos ativos digitais. Este incidente, um dos maiores já registrados no setor, levanta questões cruciais sobre a eficácia das medidas de proteção implementadas pelas corretoras e o papel dos seguros nesse contexto.
Embora existam seguros específicos para ativos digitais, a proteção varia significativamente entre as empresas. A possibilidade de indenização em casos de roubo depende de diversos fatores, como a forma de armazenamento das criptomoedas e o método de invasão utilizado pelos hackers. A regulamentação ainda é deficiente e a volatilidade dos preços das criptomoedas torna as seguradoras cautelosas na oferta de coberturas.
Os seguros de ativos digitais oferecem diferentes modalidades, incluindo proteção contra crimes, violações de segurança e erros de tecnologia. Segundo a consultoria Data Bridge Market Research, o setor de seguros para criptomoedas pode movimentar até US$ 184,98 bilhões até 2033, impulsionado pelo aumento de investimentos institucionais e pela crescente incidência de ataques cibernéticos.
Quando uma corretora é atacada, o ressarcimento pode ser feito por meio de indenizações do seguro, recursos próprios ou fundos de emergência. No caso da Binance, a corretora criou em 2018 o Fundo de Ativos Seguros para Usuários (SAFU), que tinha cerca de US$ 1 bilhão em ativos digitais em 2026, destinado a proteger clientes em situações de crise. No entanto, a seguradora pode recusar o pagamento em casos de exclusões específicas do contrato, como perdas decorrentes de flutuações de preço ou fraudes internas.
Jacqueline Quintal, especialista em ativos digitais, ressalta que a compreensão das coberturas e limitações é vital para as empresas do setor. Além do seguro, uma governança robusta e controles de segurança eficazes são fundamentais para garantir a resiliência financeira. Dada a complexidade do mercado de criptomoedas, as empresas devem estar cientes de que nem todos os riscos estão cobertos, e que a proteção vai além da simples contratação de apólices.
À medida que o setor avança, as seguradoras também enfrentam desafios, uma vez que a maioria dos contratos tradicionais não cobre especificamente perdas de criptomoedas. Portanto, as corretoras devem buscar seguros adaptados às suas necessidades, assegurando que estão totalmente protegidas contra os riscos cibernéticos que permeiam o mundo das finanças digitais.



