Uma recente operação conjunta entre o Google e diversas empresas de tecnologia revelou um esquema alarmante que controlava mais de 1,3 milhão de dispositivos, na sua maioria TV boxes com Android, sem o consentimento de seus proprietários. Identificado como XCPE, o programa malicioso estava instalado de fábrica, comprometendo a segurança dos usuários globalmente.
De acordo com a Trend Micro, uma proeminente empresa de cibersegurança, o Brasil se destacou como o segundo país mais afetado, apenas atrás da Malásia. Ao todo, 170 nações relataram a presença desses aparelhos infectados, com o Iraque, México e Taiwan também figurando entre os mais impactados.
A origem do problema remonta à fabricante chinesa Videostrong, com sede em Shenzhen, que, segundo o Google, teria instalado intencionalmente o malware em seus dispositivos. A estratégia da empresa envolvia a venda de acesso aos aparelhos contaminados a criminosos, que utilizavam os dispositivos para simular visualizações de anúncios, gerando receitas fraudulentas.
Embora as TV boxes tenham sido as mais atingidas, o Google identificou a presença do XCPE em uma variedade de equipamentos, incluindo máquinas de karaokê e dispositivos de telemedicina. Em resposta à situação, o Google rompeu relações com a Videostrong e implementou mudanças em seus processos de revisão e certificação, a fim de proteger melhor os consumidores.
Um aspecto preocupante dessa questão é a capacidade da Videostrong de burlar os testes de compatibilidade e segurança exigidos pelo Google. A empresa utilizou técnicas para ocultar o malware, permitindo que o código malicioso fosse carregado após o primeiro ligamento do aparelho. Desde 2024, essa prática vinha ocorrendo, levantando questões sobre a integridade das parcerias entre fabricantes e o Google.
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) também se manifestou sobre os riscos associados à utilização de produtos não homologados, destacando que isso vai além da qualidade do serviço prestado. A superintendente de fiscalização da Anatel, Gesiléa Fonseca Teles, alertou que a segurança da infraestrutura cibernética do Brasil está em jogo, reforçando a necessidade de vigilância e conformidade na fabricação de equipamentos conectados.
Embora a Anatel não tenha participado da operação, o Google coordenou esforços com a Agência Nacional de Polícia do Japão e outras empresas de segurança, buscando desmantelar essa rede criminosa e proteger os consumidores de futuras ameaças.
Crédito da imagem: Reprodução/Google



